As horas.

Em algum lugar além do arco-iris um homem caminha por uma estrada dourada
carregando consigo um relógio que ja não marca as horas com precisão,
os ponteiros vacilantes parecem não saber a hora de avançar,
o mecanismo de corda que o alimenta parece enferrujado,
o vidro cheio de arranhões e marcas de dedos já não reflete o rosto
de seu dono que ha muito ja não ouve seu tique e tauque.

Que horas são? pergunta-se o homem, que de tempos em tempos busca seu relógio
em um bolso de seu paletó, ali ao lado de uma medalha enferrujada e um papel com
alguma coisa escrita que ele ja nem sabe o que é…

Mas que horas são? pergunta-se o homem já com seu relógio em punho.

Ele fixa seu olhar sobre aquele pequeno objeto, ali, na palma de sua mão, inanimado, frio, arranhado,
ele o traz ao pé de seu ouvido como se esperasse que o relógio lhe disse-se, e nada…
os ponteiros ja não apontam mais as horas,
ele tenta dar corda com todo o cuidado, como se aquele objeto, pequeno, frio, inanimado, pudesse se partir.

Que cara idiota, tem medo de quebrar algo que ja não funciona direito,
tem medo dos ponteiros enlouquecerem e passar a correr com os minutos
e que os minutos
atropelem as horas.

Por Leleu Antonio

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6 thoughts on “As horas.

  1. Gostei muito desse texto. Ainda acho que sei lá, podia ter sido algo mais profundo, mais substantivo – mas tá ótimo assim. Acho que você devia criar imagens – ricas como esse relógio, esse homem e essa estrada doura – mais vezes.

    Uma imagem vale mais que mil palavras… Mas às vezes uma palavra também vale mais que mil imagens.

  2. Nina Sö diz:

    Tempo. Relógio. Contornos.
    Gostei da simplicidade e força deste texto.
    Me agradou.

    Que bom que anda me visitando, ando meio devagar ultimamente, muitas coisas, pouco tempo pra chorar palavras.

    Vou ler os outros. E aos poucos, comentalos quando possivel.
    Hasta.

    • Nina, obrigado por vir me ver e por eu poder estar entre suas muitas coisas, rs. Quanto a chorar palavras, espero que não arrume tempo mesmo, mas que você possa sorrir, gargalhar as palavras que tanto me encantam. Estarei sempre a te visitar.

      Obrigado.

      Leleu Antonio

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