Vestido Verde II

Ao entrar no taxi suas amigas logo começaram a falar sobre os acontecimentos da noite, uma após outra falaram suas impressões sobre os carinhas que conheceram, mas Ana permaneceu em silencio com um sorriso meio bobo estampado, após alguns minutos falando as amigas se voltaram para Ana curiosas: e ai Ana, não vai falar nada? perguntou uma de suas amigas rindo, Ana continuava com a mesma expressão boba em seu rosto, a amiga insistiu quando ela olho para as outras e respondeu, ah ele éra divertido, meio bobo, sei la…, as amigas logo notaram que algo estava diferente, Ana não parava de sorrir, e outra de suas amigas logo falou: ih ela deve ta muito bebada para lembrar, e todas riram bastante, e assim foram até a porta do condomínio onde moravam.

Ao abrir a porta de seu apartamento, ela pode ouvir o sinal de sua secretária eletronica ao iniciar a gravação de uma ligação, não deu muita importancia imaginou que seria uma de suas amigas para contar ou perguntar alguma coisa que não dita no taxi, ignorou foi direto para o quarto, tirou seu vestido verde e jogou de lado sobre uma cadeira, sentou sobre a cama pegando uma pequena agenda que estava na primeira gaveta do criado mudo, e começou a escrever, alguns minutos depois adormeceu com a agenda entre seus braços.

Alguns dias se passaram, Ana aguardava ansiosa pelo telefonema de Pedro. Sera que ele não vai me ligar? se perguntava, ponderava consigo mesmo. Bem se ele não ligar é pq não passou de uma tentativa de um conquistador barato, ainda bem que nao cedi a aqueas investidas bobas…

No final de semana seguinte seguindo o ritual, todas as amigas se reuniam na casa de Pati – Patricia éra a melhor amiga de Ana, se conhecem desde que nasceram praticamente, estudaram nas mesmas escolas fizeram a mesma faculdade enfim, estavam sempre juntas – para terminarem os aprontamentos para noite, e ali decidiam qual seria o destido do grupo naquela noite. Todas as meninas com exceção de Ana queriam ir a uma Boate do outro lado da cidade, mas Ana insistia que queria ir no mesmo barzinho de bairro da semana anterior, Pati zombava da amiga dizendo que sabia muito bem o motivo pelo qual ela queria ir a aquele barzinho, e retrucou: deixe de ser boba menina, ele não ligou, você só o viu uma noite, conversou alguns minutos com ele deu seu telefone e ele não ligou, ponto final, bola pra frente. Ana mesmo contrariada, seguiu a vontade do grupo que a todo momento repetia para ela esquecer o “idiota” que não tinha ligado pra ela.

A noite passou, e como sempre ao final, já dentro do taxi, a conversa sobre os acontecimentos da noite, Pati não parava de falar do quanto beijava bem o garoto com quem ela tinha ficado aquela noite, e cada uma seguindo a tradição falou de suas experiencias naquela noite, naquela noite apenas duas das cinco amigas não haviam ficado com ninguém e uma delas éra Ana, que passou a noite toda sentada na mesa, não faltaram pretendentes, mas nenhum deles conseguiu a atenção dela.

Chegando em casa ela foi direto para o seu quarto, pegou a pequena agenda na primeira gaveta do criado, foleou até a data daquela noite, pegou a caneta e escreveu, … “nada a comentar, apenas mais uma noite como milhares de outras”, como estava sem sono foi até a sala pegou o controle da tv é ficou zapeando os canais em busca de sabe se la o que, mas como já era quase manhã não tinha nada que chamasse atenção, desligou a tv, e ao colocar o controle na mesinha resolveu ouvir as mensagens que suas amigas sempre deixavam na secretária eletronica, e tinha diversas, ela não costumava ouvir essas mensagens pois éram sempre muito parecidas, uma reclamando da outra, ou falando de um carinha que agradou, ou ainda a falar algum tipo de sandice em função da bebedeira, vinte e seis éra o número de mensagens aguardando para ser ouvidas, uma a uma ela foi ouvir, e não estava enganada éra sempre a mesma coisa, quando la pela vigesima mensagem uma voz masculina, ela quase apagou a mensagem sem ouvi-la, afinal ja estava de saco cheio das outras mensagens, mas conseguiu conter-se ja com o dedo pressionando o botão de deletar, então ela ouviu : “Mensagem de número vinte e um – Oi aqui quem fala é o Pedro, nos conhecemos hoje (risos), provavelmente você ja deve estar dormindo, sei que parece meio loucura mas eu tinha que te ligar pra te dizer que essa foi a noite mais incrivel que tive nos ultimos tempos, e que se você quiser, e tomara que queira (risos), eu adoraria te encontrar novamente, meu telefone é 2514 55. Mensagem recebida em…”, A ligação é cortada subtamente pelo fim do tempo de gravação, Ana imediatamente abre um sorriso, e vai checar na sua agenda a data da ligação e foi no mesmo dia que se conheceram. Então ele havia ligado, mas porque não ligou uma segunda vez? Será que ele ligou em algum momento e não quis deixar recado? será que ele ficou esperando minha ligação??, dezenas de perguntas passaram pela sua cabeça, ela então corre novamente para a sala com sua agenda e uma caneta na mão, e repete novamente a mensagem de Pedro para anotar seu telefone, quando se da conta que a ligação foi cortada quando faltavam os dois ultimos números, ela repetiu a mensagem mais algumas vezes, não podia acreditar que a sercretária eletronica tinha cortado justo nos últimos números, mas foi o que aconteceu.

No dia seguinte ela tentou algumas combinações de números a partir dos números que conseguíra anotar, uma ótica, um mercado, dois números inexistentes e outros dois, sem exito. Na semana seguinte diariamente Ana corria a secretária eletrônica assim que chegava em casa com a esperança de ele entrasse em contato, mas não, mais uma semana se passou e ele não ligará.

Continua.

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Maquiagem borrada.

Xingamentos, gritos, olhares coléricos, ameaças, empurrões tudo isso aconteceu no intervalo de alguns instantes,estávamos em pé de guerra.

Como dois animais irracionais afiamos nossas garras e partimos para cima do outro, como se disso dependesse nossa vida, dissemos coisas que se quer passavam por nossas cabeças…

Como se não existisse mais nada a nossa volta, no máximo volume de nossas vozes, gritamos, e nossos gritos ecoaram pelos corredores a nossa volta, cegos, ficamos cegos e no ápice de nossa fúria você disse que não me amava mais, que não me queria mais… o mundo silenciou.

Lembro de olhar profundamente em seus olhos, e vê-los vermelhos com lagrimas escorrendo com o que sobra-ra de sua maquiagem, faltaram-me palavras, me virei em direção a porta e com passos pesados caminhei, sai de seu apartamento e me apoiei na porta do elevador, eu queria chorar, minha respiração atropelava minha vontade, o ar me fugia, acho que apertei o botão do elevador umas milhares de vezes, nada do elevador…

Silencio, senti-me perdido, não sabia mais onde estava, por um breve momento pensei que cairia, meu mundo girou como se nada pudesse resistir.

Ouvi então você me chamar, ainda de costas ouvi o barulho de seus passos no corredor, quando então o elevador chegou, a porta se abriu a minha frente, um passo, nada mais que um passo me separava, com meu braço segurei a porta do elevador e olhei novamente em seus olhos, você falava mas eu não ouvia sua voz, sua maquiagem borrada mostrava uma face que eu não conhecia… busquei por um instante seu sorriso em seu rosto, e não vi… entrei no elevador e vi a porta se fechar entre nós… estávamos a um passo ou um gesto de distancia…

Nossos caminhos nos levaram para estradas diferentes…

Agora tempos depois estamos novamente frente a frente, você me pergunta se ainda penso em você…
Diz que nunca deixou de me amar, que me quer de volta… e diz que tenho medo.

Perdi muito tempo tentando te apagar de minha memória, nunca consegui, mas de alguma maneira aprendi a viver com você no passado.

Nem lembro como começamos a brigar naquele dia, ou o motivo, se é que existiu, mas lembro o porque de eu ter ido embora.
No exato momento em que vi suas lagrimas escorrendo sua maquiagem e olhei dentro de seus olhos, eu percebi que te amava demais, e que, te fizera sofrer. Não suportei a sua dor.

Então, seu eu te quero de volta? Claro, mas com uma condição, só vou te amar sem maquiagem.

Leleu Antonio.

Estava só.

Através de uma alameda de arvores frondosas, folhas caiam a minha frente como a marcar o caminho por onde eu viria a passar, um vento gelado soprava levantando pequenos gravetos, meu pensamento se perdeu… comecei a rir de mim mesmo, não sabia para onde estava indo, só sabia que eu precisava continuar…

O ar ,derrepente, se encheu de poeira, cubri meus olhos com um pequeno lenço que levava em meu bolso e segui em frente. Nuvens carregadas começaram a se impor, o dia virou noite, pequenas gotas de chuva começaram a cair, apertei meu passo, ignorando os obstaculos, segui em frente, as gotas que mal caiam num instante tornaram-se pesadas, as arvores antes frondosas se contorciam com o vento como se tentansem se esconder, meu passo ja não era tão firme, a trilha que até então era ampla  parecia estreitar-se em um declive de curvas sinuosas, eu quis fugir, mas pra onde?… Deveria ter me abrigado e esperado, mas não podia, eu tinha que seguir em frente. Minhas roupas pesadas, pareciam congelar com o vento que soprava impiedoso. achei  estar andando em círculos…

A alameda de arvores frondosas tornara-se um labirinto de arvores contorcidas, minhas pernas ja não aguentavam, estava eu ofegante o ar parecia fugir de mim, quando derrepente cai de joelhos, estava só, molhado, cansado, pensei em desistir.  Senti o gosto de minhas lagrimas misturadas a meu suor e o barro encrostado em meu rosto, estava só, de joelhos vi o reflexo de meu rosto em um pequena poça, meus olhos estavam vermelhos, minha respiração ofegante, fechei meus olhos em busca de uma lembrança, algo que me indicasse um caminho, algo que me desse forças, eu estava só, minha vida então começa a passar diante de mim lembranças longínquas do que um dia eu pude sentir, percebi que fui me abandonando, e não sabia mais o gosto que tem uma paixão ou o esplendor de um algo mais… minha longa curta vida… quanto deixei de vive-la… o quanto optei deixa-la simplesmente passar…

Estava só

Leleu Antonio

Mais que um querer.

Quero olhar, o mais profundo olhar,
Quero beber, o amargo mais doce,
Quero o tudo como se não fosse nada,
e do nada quero o silêncio,
e do silencio quero o esporro.

Seu gosto como se fosse meu,
Seu cheiro, Seu sexo, Seu suor, Seu sorriso.
Seu seria eu,
Seu seriamos nós.

Não quero nada além do impossivel,
nada que eu não possa querer,
nada que de tão distante, não se faça presente
nada que de tão errado, não se faça perfeito
nada que de tão perfeito,não se faça loucura
nada que não seja apenas improvavel
nada que não seja o tudo,
e apenas isso…

Não posso dizer que te amo,
mas posso dizer que te quero…

Leleu Antonio

Saudade.

Ola menina, a quanto tempo não nos falamos…
como estas? espero que esteja bem, espero que estejas feliz onde estiver
sabe, ainda me lembro como se fosse ontem o dia em que você se foi
lembro que chorei como criança, quando me dei conta que um pedaço de mim
estava indo embora…

Quantos momentos ein…,
quantos sorrisos, quantas lagrimas, quantos abraços, quanto amor
sabe, eu nunca mais tive alguém como você,
você me conhecia mais do que eu, nenhuma palavra era necessaria.

ah, ainda guardo aquela foto de você debruçada sobre a janela.
sinto sua falta, sinto muita falta das horas que passavamos falando sobre o nada, contando estrelas,
ou ouvindo aquelas musicas que você gostava e me ensinou a gostar
sinto falta do seu abraço, de sua respiração…

Você se lembra da vez em que resolvemos nos beijar, só de brincadeira, rs, que noite louca,
e das quartas-feiras quando iamos naquele bar de fundo de garagem, dançavamos, cantavamos, sorriamos…
Nossa, não consigo lembrar um momento ruim entre nós.
Sinto falta até do seu sorriso sarcastico, e de suas tiradas ironicas.
Quantas noites passamos juntos? apenas juntos…
Queria que estivesse aqui para poder olhar nos seu olhos e lhe apertar em meus braços em forma de um abraço.
Como gostaria que você estivesse aqui…
Sabe, na presença da distancia acho que te amo, ainda te amo, te amo.

Minha amiga, a quanto tempo não nos falamos?
ja nem sei mais…

Sinto sua falta.

Desculpe-me pelas frases incompletas, pelos pensamentos desencontrados, é que você levou consigo minha ultima lembrança de ternura.

Leleu Antonio