Vestido Verde I

Éra apenas mais uma noite daquelas em que Pedro saia com a simples intenção de ouvir uma boa música e beber alguma coisa, ele costumava frenquentar um bar próximo de sua casa, um local simples mas aconchegante, com um clima meio intimista, não havia mais do umas oito mesas no salão, um pequeno balcão e um canto reservado onde sempre tinha alguém tocando um violão. Ele se sentou em uma mesa no canto próxima a porta de entrada e também como de costume pediu ao garçom uma taça de vinho tinto, tudo indicava que seria apenas mais um noite como outra qualquer.

Verde era a cor do vestido que ela vestia na primeira vez que Pedro a viu. Ela dançava junto a um grupo de meninas, bem próximo de onde ele estava. Pedro parecia hipnotizado e mantia um olhar fixo como que esperasse uma simples troca de olhares, o menor sinal, mas ela sequer olhou para ele, ela parecia feliz, algum tempo se passou até que Pedro criasse coragem para tentar conhecer aquela menina de vestido verde, ele parou ao lado dela, acenou com um pequeno gesto, mas nenhuma palavra saia de sua boca, a menina então sorriu percebendo o constrangimento no olhar de Pedro e disse: Ola, eu sou a Ana. Pedro teve a sensação de que o tempo tinha dado uma pausa, ele soube naquele momento que era ela.

A noite passou mais do que rapidamente, Pedro havia tentado de todas as artimanhas que ele conhecia no alto de seus trinta e poucos anos, mas Ana resistia a suas investidas, sempre saindo pela tangente com um sorriso ou uma frase boba, quando a noite terminou ela se despediu com um beijo, e se foi. Pedro ficou parado a observando até que entrasse no taxi com suas amigas, e se pôs a caminhar para sua casa que ficava a menos de dois quarteirões de distancia dali, após alguns passos colocou a mão em seu bolso e sentiu um papel amassado que logo tirou, éra um guardanapo com uma marca de batom e um telefone em baixo.

Ele não dormiu naquela resto de noite, o sorriso, o cheiro, o olhar dela não saia de sua cabeça, ele tinha apenas uma certeza, era Ana a mulher que fora feita para ele.

Continua.

L. Antonio