Talvez

Me sinto só… no meio da noite sinto um vazio estranho e desperto para o silencio. Passei as ultimas horas sonhando com alguém que talvez eu nunca venha a ter, alguém que esta tão proximo mas ao mesmo tempo inatingivel. Não é a primeira noite que sonho com ela, aliás já é uma constante, sonho com um encontro que nunca aconteceu, sonho com olhares que ainda não ví, com beijos que ainda não beijei, e que talvez nunca venha a sentir o gosto.

Vivo uma paixão intensa, como a muito tempo não vivia, mas vivo só.

As vezes me pergunto o que tenho a perder? por que não vou atrás dela e jogo tudo na mesa… Sim, ela tem nome e sobrenome, mora a poucos minutos daqui…

Como eu gostaria de te-la encontrado a tempos atrás, em um tempo onde ambos éramos livres, onde talvez tivessemos uma chance de ser mais do que amigos, sim somos amigos. Por um capricho da vida, por anos a tive ao alcance dos olhos, sempre a admirei como mulher, sempre a desejei, mas de longe.

Olho para o lado em minha cama e vejo um rosto que não é o dela.

Me doi pensar que talvez eu nunca venha a saber se poderiamos dar certo, ou não.
Pensar que talvez ela pudesse me querer, pensar que talvez nós pudessemos SER.

Talvez eu nunca saiba, talvez ela nunca tenho me visto como eu a vejo, talvez tudo não passe de ilusão de homem que nunca esta só e mesmo assim sente um imenso vazio.

Talvez um dia.

Talvez.

L. Antonio

Vestido Verde II

Ao entrar no taxi suas amigas logo começaram a falar sobre os acontecimentos da noite, uma após outra falaram suas impressões sobre os carinhas que conheceram, mas Ana permaneceu em silencio com um sorriso meio bobo estampado, após alguns minutos falando as amigas se voltaram para Ana curiosas: e ai Ana, não vai falar nada? perguntou uma de suas amigas rindo, Ana continuava com a mesma expressão boba em seu rosto, a amiga insistiu quando ela olho para as outras e respondeu, ah ele éra divertido, meio bobo, sei la…, as amigas logo notaram que algo estava diferente, Ana não parava de sorrir, e outra de suas amigas logo falou: ih ela deve ta muito bebada para lembrar, e todas riram bastante, e assim foram até a porta do condomínio onde moravam.

Ao abrir a porta de seu apartamento, ela pode ouvir o sinal de sua secretária eletronica ao iniciar a gravação de uma ligação, não deu muita importancia imaginou que seria uma de suas amigas para contar ou perguntar alguma coisa que não dita no taxi, ignorou foi direto para o quarto, tirou seu vestido verde e jogou de lado sobre uma cadeira, sentou sobre a cama pegando uma pequena agenda que estava na primeira gaveta do criado mudo, e começou a escrever, alguns minutos depois adormeceu com a agenda entre seus braços.

Alguns dias se passaram, Ana aguardava ansiosa pelo telefonema de Pedro. Sera que ele não vai me ligar? se perguntava, ponderava consigo mesmo. Bem se ele não ligar é pq não passou de uma tentativa de um conquistador barato, ainda bem que nao cedi a aqueas investidas bobas…

No final de semana seguinte seguindo o ritual, todas as amigas se reuniam na casa de Pati – Patricia éra a melhor amiga de Ana, se conhecem desde que nasceram praticamente, estudaram nas mesmas escolas fizeram a mesma faculdade enfim, estavam sempre juntas – para terminarem os aprontamentos para noite, e ali decidiam qual seria o destido do grupo naquela noite. Todas as meninas com exceção de Ana queriam ir a uma Boate do outro lado da cidade, mas Ana insistia que queria ir no mesmo barzinho de bairro da semana anterior, Pati zombava da amiga dizendo que sabia muito bem o motivo pelo qual ela queria ir a aquele barzinho, e retrucou: deixe de ser boba menina, ele não ligou, você só o viu uma noite, conversou alguns minutos com ele deu seu telefone e ele não ligou, ponto final, bola pra frente. Ana mesmo contrariada, seguiu a vontade do grupo que a todo momento repetia para ela esquecer o “idiota” que não tinha ligado pra ela.

A noite passou, e como sempre ao final, já dentro do taxi, a conversa sobre os acontecimentos da noite, Pati não parava de falar do quanto beijava bem o garoto com quem ela tinha ficado aquela noite, e cada uma seguindo a tradição falou de suas experiencias naquela noite, naquela noite apenas duas das cinco amigas não haviam ficado com ninguém e uma delas éra Ana, que passou a noite toda sentada na mesa, não faltaram pretendentes, mas nenhum deles conseguiu a atenção dela.

Chegando em casa ela foi direto para o seu quarto, pegou a pequena agenda na primeira gaveta do criado, foleou até a data daquela noite, pegou a caneta e escreveu, … “nada a comentar, apenas mais uma noite como milhares de outras”, como estava sem sono foi até a sala pegou o controle da tv é ficou zapeando os canais em busca de sabe se la o que, mas como já era quase manhã não tinha nada que chamasse atenção, desligou a tv, e ao colocar o controle na mesinha resolveu ouvir as mensagens que suas amigas sempre deixavam na secretária eletronica, e tinha diversas, ela não costumava ouvir essas mensagens pois éram sempre muito parecidas, uma reclamando da outra, ou falando de um carinha que agradou, ou ainda a falar algum tipo de sandice em função da bebedeira, vinte e seis éra o número de mensagens aguardando para ser ouvidas, uma a uma ela foi ouvir, e não estava enganada éra sempre a mesma coisa, quando la pela vigesima mensagem uma voz masculina, ela quase apagou a mensagem sem ouvi-la, afinal ja estava de saco cheio das outras mensagens, mas conseguiu conter-se ja com o dedo pressionando o botão de deletar, então ela ouviu : “Mensagem de número vinte e um – Oi aqui quem fala é o Pedro, nos conhecemos hoje (risos), provavelmente você ja deve estar dormindo, sei que parece meio loucura mas eu tinha que te ligar pra te dizer que essa foi a noite mais incrivel que tive nos ultimos tempos, e que se você quiser, e tomara que queira (risos), eu adoraria te encontrar novamente, meu telefone é 2514 55. Mensagem recebida em…”, A ligação é cortada subtamente pelo fim do tempo de gravação, Ana imediatamente abre um sorriso, e vai checar na sua agenda a data da ligação e foi no mesmo dia que se conheceram. Então ele havia ligado, mas porque não ligou uma segunda vez? Será que ele ligou em algum momento e não quis deixar recado? será que ele ficou esperando minha ligação??, dezenas de perguntas passaram pela sua cabeça, ela então corre novamente para a sala com sua agenda e uma caneta na mão, e repete novamente a mensagem de Pedro para anotar seu telefone, quando se da conta que a ligação foi cortada quando faltavam os dois ultimos números, ela repetiu a mensagem mais algumas vezes, não podia acreditar que a sercretária eletronica tinha cortado justo nos últimos números, mas foi o que aconteceu.

No dia seguinte ela tentou algumas combinações de números a partir dos números que conseguíra anotar, uma ótica, um mercado, dois números inexistentes e outros dois, sem exito. Na semana seguinte diariamente Ana corria a secretária eletrônica assim que chegava em casa com a esperança de ele entrasse em contato, mas não, mais uma semana se passou e ele não ligará.

Continua.

Vestido Verde I

Éra apenas mais uma noite daquelas em que Pedro saia com a simples intenção de ouvir uma boa música e beber alguma coisa, ele costumava frenquentar um bar próximo de sua casa, um local simples mas aconchegante, com um clima meio intimista, não havia mais do umas oito mesas no salão, um pequeno balcão e um canto reservado onde sempre tinha alguém tocando um violão. Ele se sentou em uma mesa no canto próxima a porta de entrada e também como de costume pediu ao garçom uma taça de vinho tinto, tudo indicava que seria apenas mais um noite como outra qualquer.

Verde era a cor do vestido que ela vestia na primeira vez que Pedro a viu. Ela dançava junto a um grupo de meninas, bem próximo de onde ele estava. Pedro parecia hipnotizado e mantia um olhar fixo como que esperasse uma simples troca de olhares, o menor sinal, mas ela sequer olhou para ele, ela parecia feliz, algum tempo se passou até que Pedro criasse coragem para tentar conhecer aquela menina de vestido verde, ele parou ao lado dela, acenou com um pequeno gesto, mas nenhuma palavra saia de sua boca, a menina então sorriu percebendo o constrangimento no olhar de Pedro e disse: Ola, eu sou a Ana. Pedro teve a sensação de que o tempo tinha dado uma pausa, ele soube naquele momento que era ela.

A noite passou mais do que rapidamente, Pedro havia tentado de todas as artimanhas que ele conhecia no alto de seus trinta e poucos anos, mas Ana resistia a suas investidas, sempre saindo pela tangente com um sorriso ou uma frase boba, quando a noite terminou ela se despediu com um beijo, e se foi. Pedro ficou parado a observando até que entrasse no taxi com suas amigas, e se pôs a caminhar para sua casa que ficava a menos de dois quarteirões de distancia dali, após alguns passos colocou a mão em seu bolso e sentiu um papel amassado que logo tirou, éra um guardanapo com uma marca de batom e um telefone em baixo.

Ele não dormiu naquela resto de noite, o sorriso, o cheiro, o olhar dela não saia de sua cabeça, ele tinha apenas uma certeza, era Ana a mulher que fora feita para ele.

Continua.

L. Antonio

Mais que um querer.

Quero olhar, o mais profundo olhar,
Quero beber, o amargo mais doce,
Quero o tudo como se não fosse nada,
e do nada quero o silêncio,
e do silencio quero o esporro.

Seu gosto como se fosse meu,
Seu cheiro, Seu sexo, Seu suor, Seu sorriso.
Seu seria eu,
Seu seriamos nós.

Não quero nada além do impossivel,
nada que eu não possa querer,
nada que de tão distante, não se faça presente
nada que de tão errado, não se faça perfeito
nada que de tão perfeito,não se faça loucura
nada que não seja apenas improvavel
nada que não seja o tudo,
e apenas isso…

Não posso dizer que te amo,
mas posso dizer que te quero…

Leleu Antonio